EDUCAÇÃO CORPORATIVA EM PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS DO SETOR DE SOFTWARE: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO

Lisângela da Silva Antonini, Amarolinda Zanela Saccol

Resumo


A formação da competência profissional é um dos desafios enfrentados por empresas de base tecnológica, cujo ambiente evolui rápida e constantemente. Esse cenário se aplica especialmente ao setor de software e serviços associados, para o qual a qualificação dos profissionais é condição essencial para a sobrevivência no mercado. Esse setor é considerado estratégico para o desenvolvimento nacional, sendo uma das prioridades da política industrial do Governo Federal no Brasil. Um dos principais obstáculos para o seu crescimento é a carência de profissionais qualificados, não só em termos de conhecimentos técnicos, mas de habilidades e atitudes que são centrais ao conceito de competências. Considerando a importância desse setor, este artigo tem o objetivo de identificar e analisar os desafios enfrentados por pequenas e médias empresas (PMEs) de software nos seus processos de educação corporativa. O estudo é exploratório. O método de pesquisa utilizado foi a pesquisa-ação em uma empresa de software de médio porte, e também entrevistas com especialistas, gestores de entidades representativas do setor e de pólos tecnológicos localizados no estado do Rio Grande do Sul (Brasil). Dentre os principais resultados da pesquisa destaca-se que as PMEs de software, em sua maioria, não possuem ou possuem recursos financeiros escassos para investimento em gestão de recursos humanos. Com isso, essas empresas, em sua maioria, não possuem um planejamento sistemático de ações que permitam alinhar os objetivos organizacionais com o desenvolvimento dos seus profissionais. As PMEs de software, quase na sua totalidade, não promovem a educação corporativa por falta de conhecimento sobre o assunto e também por falta de recursos e de pessoal capacitado para a condução de projetos ou programas dentro dessa lógica. Foi constatada a importância de políticas de desenvolvimento de competências (profissionais e organizacionais) para as PMEs de software, no sentido de organizá-las quanto ao seu direcionamento estratégico e a preservação do seu capital intelectual. Verificou-se também que as comunidades de prática existem de maneira informal no setor, e que existem na internet variados softwares livres ou comerciais que podem ser utilizados, inclusive para suportar atividades via EAD, com o objetivo de apoiar atividades de educação corporativa personalizada para essas empresas e sua cadeia de valor, fomentando suas comunidades de prática como uma importante estratégia de educação corporativa. Por fim, verificou-se também que as universidades ainda não suprem as necessidades de formação de profissionais para o setor de software, sendo necessários avanços no estreitamento da relação entre essas instituições, na busca de formação de profissionais efetivamente qualificados, que contribuam para a competitividade do setor.


Palavras-chave


setor de software e serviços associados; educação corporativa; competências

Referências


AGRAWAL, Narendra M.; KHATRI, Naresh, SRINIVASAN, R. Managing growth: human resource management challenges facing the Indian software industry. Journal of World Business, 2011.

AGRAWAL, Ritu; FERRATT, Thomas W. Crafting a HR strategy to meet the need for IT workers. Communications of the ACM, vol. 44, n. 7, 2001.

AGUIAR, Afrânio Carvalho. Atividades de educação corporativa no Brasil: análise das informações coletadas em 2006 pela STI - Secretaria de Tecnologia Industrial do MDIC – Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Belo Horizonte: STI/MDIC, 2006.

ALBUQUERQUE, Lindolfo Galvão de; FISCHER, A. L. Pesquisa RH 2010: uma análise das tendências em gestão de pessoas para os próximos 10 anos. São Paulo: FIA/FEA-USP, 2000.

ALBUQUERQUE, Lindolfo Galvão de; OLIVEIRA, P. M. Competências ou cargos: uma análise das tendências das bases para o instrumental de recursos humanos. Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 8, n. 4, out./dez., 2001.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE SOFTWARE. 2011. Dados sobre o setor. Disponível em: http://www.abes.org.br/templ3.aspx?id= 306⊂=650. Acesso em: 24/10/2011.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Rio de Janeiro: Edições 70, 2007.

BECKER, Brian; HUSELID, Mark A. Strategic human resources management: where do we go from here? Journal of Management, vol. 32, n. 6, p. 898-925, 2006.

BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Diretrizes de política industrial, tecnológica e de comércio exterior. 2003. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/download/Diretrizes_Oficial.pdf. Acesso em: 10/02/2008.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Programa de Desenvolvimento Produtivo. Brasília, 2008. Disponível em: http://www.mdic.gov.br/pdp/index.php/sitio/inicial. Acesso em: mar/2008.

BRITTO, Jorge; STALLIVIERI, Fabio. Inovação, cooperação e aprendizado no setor de software no Brasil: análise exploratória baseada no conceito de Arranjos Produtivos Locais (APLs). Economia e Sociedade, Campinas, vol. 19, n. 2, p. 315-358, 2010.

BROWN, J. S.; DUGUID, P. Organizational learning and communities of practice: towards a unified view of working, learning, and innovation. Organization Science. Linthicum, vol. 2, n. 1, p. 40-57, 1991.

COLLINS, Jill.; HUSSEY, Roger. Pesquisa em administração: um guia prático para alunos de graduação e pós-graduação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

DALL’ALBA, Gloria; SANDBERG Jörgen. Educating for competence in professional practices. Instructional Science. Dordrecht, vol. 24, p. 411-437, 1996.

EBOLI, Marisa. Educação corporativa no Brasil: mitos e verdades. São Paulo: Gente, 2004.

ENNS, Harvey G; FERRATT, Thomas W.; PRASAD, Jayesh. Beyond stereotypes of IT professionals: implications for HR practices. Communications of the ACM, vol. 49, n. 4, 2006.

GROPP, Beatrice M. C.; TAVARES, Maria das Graças P. Comunidades de prática: gestão de conhecimento nas empresas. São Paulo: Trevisan Editora Universitária, 2006.

IDGNow. Empresas de TI vivem dilema entre terceirizar pessoal ou atrair recursos. Disponível em: http://idgnow.uol.com.br/carreira/2007/02/01/ idgnoticia.2007-02-01.9613096318/ Acesso em: mai/2007.

LE BOTERF, Guy. Desenvolvendo a competência dos profissionais. Porto Alegre: Bookman, 2003.

MEISTER, Jeanne C. Educação corporativa: a gestão do capital intelectual através das universidades corporativas. São Paulo: MAKRON Books, 1999.

MORGADO, Eduardo Martins. Aspectos das grades curriculares de TI e software. In: Fórum de Competitividade de Software e Serviços de Tecno-logia da Informação. 2008. Disponível em: http://www.desenvolvimento. gov.br/sitio/interna/interna.php?area=3&menu=1973&r efr=196. Acesso em: 02/12/2008.

PERRENOUD, Philipe. Construire des compétences dès l'école. Paris: ESF, 1997.

RUAS, Roberto L. Gestão por competências: uma contribuição à estratégia das organizações. In: RUAS, Roberto L.; ANTONELLO, Claudia Simone; BOFF, Luiz Henrique. Os novos horizontes da gestão: aprendizagem organizacional e competências, p. 34-54. Porto Alegre: Bookman, 2005.

SANDBERG, Jörgen; DALL’ALBA, Gloria. Re-framing competence development at work. University of Queensland, working paper, 2005.

SCHAMBACH, THOMAS; BLANTON, ELLIS. The professional development challenge for IT professionals. Communications of the ACM, vol. 45, n. 4, 2002.

SEBRAE. Critérios e conceitos para classificação de empresas. 2007. Disponível em: http://www.sebrae.com.br. Acesso em: jan/2007.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE COMPUTAÇÃO. 2008. Disponível em: http://www.sbc.org.br/. Acesso em: 2008.

SOFTEX. A indústria de software no Brasil 2002: fortalecendo a economia do conhecimento. Campinas: SOFTEX, 2002.

SOFTEX. Programa de formação de capital humano em software: plano de investimentos do Ministério da Ciência e Tecnologia 2006-2012. Campinas: SOFTEX, 2006.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 15. ed. São Paulo: Cortez, 2007.

WENGER, Etienne. Communities of practice: learning, meaning and identity. New York: Cambridge University, 1998.

WENGER, Etienne. Supporting communities of practice: a survey of community-oriented technologies. Relatório de pesquisa, versão 1.3, 2001. Disponível em: http:www.ewenger.com. Acesso em: 21/02/2008.

WENGER, Etienne; WHITE, Nancy; SMITH, John. Digital habitats: stewarding technology for communities. Portland: CPSquare, 2009.

ZARIFIAN, Philippe. O modelo da competência: trajetória histórica, desafios atuais e propostas. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2003.


Texto completo: PDF

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .