O estigma da feminilidade nas organizações: um estudo a partir da visão de sujeitos gays

Renan Gomes de Moura, Rejane Prevot Nascimento
DOI: https://doi.org/10.21529/RECADM.2020009

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Resumo

Tratados muitas vTratados muitas vezes como minorias ou excluídos, os homossexuais, assim como outras categorias marginalizadas da sociedade, estão submetidos ao controle social por parte de um grande grupo hegemônico, que determina o que é tido como “normal” na sociedade (Pereira, 2009). Neste sentido, este trabalho se propõe compreender a estigmatização da feminilidade nas organizações, pela perspectiva do sujeito gay. Foram entrevistados nove (09) sujeitos gays masculinos assumidos, residentes no estado do Rio de Janeiro, inseridos em diferentes atividades profissionais e com diferentes níveis de formação. O corpus da pesquisa foi analisado por meio da análise de conteúdo. Constatou-se que o estigma da feminilidade pode ser compreendido a partir do momento em que o “ser feminino” é visto como inferior ao homem pela sociedade e pelas organizações, seja por meio das palavras ou por meio de comportamentos, com o objetivo de manter o poder heteromasculino.


Palavras-chave

estigma; feminilidades; gay; organizações


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