Lógica institucional da família de profissionais da contabilidade pública e a intenção de denúncia
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Este artigo investiga como a lógica institucional da família se relaciona com a intenção de denúncia (whistleblowing) entre contadores públicos do Estado do Rio de Janeiro. Fundamentado na perspectiva das Lógicas Institucionais, o estudo considera que a família, como ordem social estruturante, pode operar tanto como fonte de sustentação ética quanto como obstáculo simbólico à denúncia de irregularidades no setor público. Adotou-se uma abordagem qualitativa e descritiva, com coleta de dados por meio de questionário eletrônico contendo perguntas abertas, respondido por 31 contadores públicos atuantes em órgãos da administração estadual. As respostas foram analisadas por meio de abordagem hermenêutica, com categorias dedutivas e indutivas. Os resultados indicam que os valores familiares — como justiça, responsabilidade, integridade e respeito — são frequentemente citados como base da conduta ética, reforçando a disposição de denunciar. No entanto, a maioria das narrativas aponta o medo de represálias contra os entes queridos e o desejo de preservar laços afetivos como barreiras à denúncia, revelando um papel predominantemente inibidor da lógica familiar. Também foram identificados dilemas éticos enfrentados por contadores ao conciliar lealdade interpessoal e dever institucional de transparência. A principal contribuição teórica do estudo reside em aprofundar a compreensão sobre o papel da lógica da família no comportamento ético de servidores públicos, enquanto as contribuições práticas e sociais envolvem o aprimoramento de políticas públicas de integridade mais sensíveis às dimensões afetivas. Por fim, o estudo propõe diretrizes para fortalecer a proteção ao denunciante e aponta caminhos para pesquisas futuras sobre lógicas institucionais e accountability.
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