Carreira outsider: um estudo sobre o processo de rotulação da carreira de músico

Leandro Eduardo Vieira Barros, Mônica Carvalho Alves Cappelle, Paula Guerra
DOI: https://doi.org/10.21529/RECADM.2021007

Texto completo:

PDF

Resumo

Neste artigo apresenta-se a perspectiva da teoria da rotulação – carreira outsider e seu contexto subjetivo e sua interação social. Portanto, o objetivo foi identificar como ocorre o processo de rotulação da carreira outsider para músicos e quais as implicações sociais e profissionais de se ter uma carreira outsider nos municípios de São João del-Rei e Tiradentes. A abordagem foi qualitativa, com as técnicas de coleta de dados: observação, entrevista com roteiro semiestruturado e técnica projetiva. Os sujeitos foram definidos por acessibilidade e o número de respostas por saturação. Para a análise dos dados, foi utilizada a análise de conteúdo temática. Os resultados apresentam o contexto da microrregião do Campo das Vertentes, a trajetória dos músicos pesquisados, a baixa renumeração, o acúmulo de funções e as dificuldades na gestão da carreira. Nas suas interações sociais, são rotulados pela família, amigos, companheiro(a) e sociedade por exercerem sua carreira, ou seja, é considerada uma carreira com baixo status social. Por fim, são apresentadas as limitações da pesquisa e sugestões para futuros trabalhos.  


Palavras-chave

carreira outsider; interacionismo simbólico; músicos


Referências


Abbott, A. (1997). Of time and space: the contemporary relevance of the Chicago School. Social Forces, 75(4), 1149-1182.

Adamson, S. J., Doherty, N., & Viney, C. (1998). The meanings of career revisited: implications for theory and practice. British Journal of Management, 9(4), 251-259.

Arthur, M. B. (1994). The boundaryless career: a new perspective for organizational inquiry. Journal of organizational behavior, 15(4), 295-306.

Assis, D.T.F.D., & Macêdo, K.B. (2010). O trabalho de músicos de uma banda de blues sob o olhar da psicodinâmica do trabalho. Revista Psicologia Organizações e Trabalho, 10(1),52-64.

Banks, M. (2009). Dados visuais. In M. Banks (Coord.). Dados visuais para pesquisa qualitativa (pp.15-34). Porto Alegre: Artmed

Barata, G. (2002). Doenças ocupacionais afetam saúde dos músicos. Ciência e cultura, 54(1), 13.

Barros, L. E. V., Cappelle, M. C. A., & Guerra, P. (2019). Interacionismo simbólico e carreira outsider: uma perspectiva teórica para o estudo de carreira. READ - Revista Eletrônica de Administração, 25(1), 26-48.

Barros, L. E. V., Cappelle, M. C. A., Souza, R. B. D., & Lobato, C. B. D. P. (2018). Carreiras outsiders: uma análise a partir da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Gestão & Planejamento-G&P, 19, 121-136.

Bastos, A. V. B. (1994). Comprometimento no trabalho: a estrutura dos vínculos do trabalhador com a organização, a carreira e o sindicato. Tese de Doutorado, Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília, DF, Brasil.

Becker, H. S. (1958). Problems of inference and proof in participant observation. American Sociological Review, 23(6), 652-660.

Becker, H. S. (2008). Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar.

Berger, P. L., & Luckmann, T. (1985). A construção social da realidade. São Paulo: Vozes

Brant, F, & Nascimento, M. (1981). Nos bailes da vida. Intérprete: Milton Nascimento. In M. Nascimento. Caçador de mim. [C.D, Faixa 8].

Brasil. Ministério do Trabalho. Portaria nº 656. (2018). Recuperado em 25 setembro, 2018 de http://portal.imprensanacional.gov.br/materia//asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/37975194/do1-2018-08-23-portaria-n-656-de-22-de-agosto-de-2018-37975096

Carson, K.D., Carson, P.P., Phillips, J.S., & Roe, C.W. (1996). A career entrenchment model: theoretical development and empirical outcomes. Journal of Career Development, 22, 273-286.

Carreiro, J. (2004). Cada um com seus problemas. Recuperado em 17 outubro, 2018, de https://www.letras.mus.br/joao-carreiro-capataz/1061669/

Centurião, L. R. M. (2003). Identidade e desvio social. Curitiba: Juruá

Chanlat, J. F. (1995). Quais carreiras e para qual sociedade?. Revista de Administração de Empresas, 35(6), 67-75.

Ciampa, A. D. C. (2001). Estória do Severino e a história da Severina, a: um ensaio de psicologia social. São Paulo: Brasiliense.

Closs, L. Q., & Rocha-de-Oliveira, S. (2015). História de vida e trajetórias profissionais: estudo com executivos brasileiros. Revista de Administração Contemporânea, 19(4), 525-543.

Côrtes, M.R., Benze, R.P., Galizia, F.S., & Côrtes, F. V. F. R. (2010). O músico empreendedor: novas possibilidades de atuação e novas necessidades de formação profissional em música. Encontro de estudos sobre empreendorismo e gestão de pequenas empresas, 6, 1-9.

Delory-Momberger, C. (2012). Abordagens metodológicas na pesquisa biográfica. Revista Brasileira de Educação, 17(51), 523-536.

DeLuca, G., Rocha-de-Oliveira, S., & Chiesa, C. D. (2016, jul/ago). Projeto e metamorfose: contribuições de Gilberto Velho para os estudos sobre carreiras. Revista de Administração Contemporânea, 20(4), 458-476.

Dubar, C. (2005). A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. São Paulo: Marins Fontes.

Enoque, A. G., Borges, A. F., & Borges, J. F. (2015). “Além do que se Vê...”: Análise do Conceito Weberiano de Vocação à luz da Dinâmica do Empreendedorismo Religioso. Organizações & Sociedade, 22(75), 505-520.

Evans, P. (1996). Carreira, sucesso e qualidade de vida. Revista de Administração de empresas, 36(3), 14-22.

Federação das Indústrias do Estado Rio de Janeiro. FIRJAN. (2016). Recuperado em 30 janeiro, 2017, de http://www.firjan.com.br/firjan/empresas/competitividade-empresarial/industria-criativa/default.htm

G1. (2014). G1.globo.com. Recuperado em 05 maio, 2020, de http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2014/12/ano-de-sertanejos-tem-internacao-por-drogas-superacao-morte-e-acidente-hudson-renner.html

Gil, A. C. (1999). Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.

Giddens, A. (2002). Modernidade e identidade. Rio de Janeiro Zahar.

Goes, T. (2020). Com patrocínio e muita bebedeira, lives de sertanejos dão mau exemplo. Recuperado em 02 de maio, 2020, de https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2020/04/com-patrocinio-e-muita-bebedeira-lives-de-sertanejos-dao-mau-exemplo.shtml

Goffman, E. (2004). Estigma: notas sobre a manipulação da identidade. Rio de Janeiro: LTC.

Goldani, A. M. (2010). Desafios do preconceito etário. Educação & Sociedade, 31(111), 411-434.

Guerra, P. (2013). A instável leveza do rock. Porto: Edições Afrontamento.

Guerra, P. (2016). Keep it rocking: the social space of Portuguese alternative rock (1980–2010). Journal of Sociology, 52(4), 615-630.

Guerra, P. (2018). Raw power: Punk, DIY and underground cultures as spaces of resistance in contemporary Portugal. Cultural Sociology, 12(2), 241-259.

Haguette, T. M. F. (2010). Metodologias qualitativas na sociologia (12º ed.). Petrópolis: Vozes.

Hall, D. T. (1996). Protean careers of the 21st century. Academy of Management Perspectives, 10(4), 8-16.

Herpin, N. (1982). A sociologia americana: escolas, problemáticas e práticas. Porto: Edições Afrontamento.

Heslin, P. A. (2005). Conceptualizing and evaluating career success. Journal of Organizational Behavior: The International Journal of Industrial, Occupational and Organizational Psychology and Behavior, 26(2), 113-136.

Hughes, E.C. (1937). Institutional office and the person. American Journal of Sociology, 43(3), 404-413.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2020). Recuperado em 17 fevereiro, 2020, de https://www.ibge.gov.br/indicadores

International Federation of the Phonographic Industry - IFPI (2016). Recuperado em 30 janeiro, 2017, de http://www.ifpi.org/downloads/Music-Consumer-Insight-Report-2016.pdf

Khapova, S. N., & Arthur, M. B. (2011). Interdisciplinary approaches to contemporary career studies. Human Relations, 64(1), 3-17.

Lima, R. D. C. P. (2001). Sociologia do desvio e interacionismo. Tempo social, 13(1), 185-201.

Martins, J. P. C., & Slongo, L. A. (2014). O mercado de música digital: um estudo sobre o comportamento do consumidor brasileiro. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, 16(53), 638-657.

Mendes, K. A., Dutra, L. M., & Pereira, D. P. (2015). Relação entre o estudo formal e a média salarial do músico: um estudo com músicos brasileiros. 32, 296-322

Mendonça, J. R. C. (2002). Interacionismo simbólico: uma sugestão metodológica para a pesquisa em administração. Revista Eletrônica de Administração, 8(2), 1-23.

Minayo, M. C. D. S. (2008). O desafio do conhecimento: metodologia de pesquisa social (qualitativa) em saúde. São Paulo: Hucitec.

MISKOLCI, R. (2005) Do desvio às diferenças. Teoria & pesquisa, 1(47), 9-41.

Moreno, A. C. (2012). Guia de carreiras: música. Recuperado em 25 janeiro, 2017 de http://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2012/04/guia-de-carreiras-musica.html

Oliveira, L. B. (2011). Carreiras “exóticas”: o que administradores podem aprender com as vivências de artistas, atletas e outros profissionais. ReCaPe–Revista de Carreiras e Pessoas, 1(2), 1-28

Ortega, R. (2013). Discos mais baratos e curtos, EPs ganham força no mercado do Brasil. Recuperado em 09 março, 2018, de http://g1.globo.com/musica/noticia/2013/01/discos-mais-baratos-e-curtos-eps-ganham-forca-no-mercado-do-brasil.html?hash=3

Pichoneri, D. F. M. (2006). Músicos de orquestra: um estudo sobre educação e trabalho no campo das artes. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Pichoneri, D. F. M. (2011). Relações de trabalho em música: a desestabilização da harmonia. Tese de Doutorado, Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil.

Poli, K. (2013, setembro). O campo da música no contexto das Políticas Culturais. Anais do Siminário Internacional de Políticas Culturais, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 3.

Poli, K. (2014, maio). O setor da música como objeto das políticas culturais federais. Anais do Seminário Internacional de Políticas Culturais, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 4.

Poli, K. (2015, setembro). Economia criativa, política cultural e o trabalho da música – entendendo as relações e descobrindo os agentes. Anais Seminário Internacional de Políticas Culturais, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 6.

Pro-música Brasil Produtores Fonográficos Associados. Pró-música. (2016) Recuperado em 30 janeiro, 2017 de http://www.abpd.org.br/2016/10/24/resumo-do-mercado-fonografico-no-1o-semestre-de-2016-e-mudanca-de-nome-da-abpd-para-pro-musica/

Requião, L. (2016). “Festa acabada, músicos a pé!”: um estudo crítico sobre as relações de trabalho de músicos atuantes no estado do Rio de Janeiro. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, (64), 249-274.

Rowe, D. E. O., Bastos, A. V. B., & Pinho, A. P. M. (2011). Comprometimento e entrincheiramento na carreira: um estudo de suas influências no esforço instrucional do docente do ensino superior. Revista de Administração Contemporânea, 15(6), 973-992.

Sampaio, P. D. A., & Ferreira, R. F. (2009). Beleza, identidade e mercado. Psicologia em Revista, 15(1), 120-140.

Schein, E. (1990). Career anchors: discovering your real values. San Diego: Pfeiffer & Company.

Tolfo, S. (2002). A carreira profissional e seus movimentos: revendo conceitos e formas de gestão em tempos de mudanças. Revista Psicologia: Organizações e Trabalho, 2(2), 39-63.

Vergara, S. C. (2015). Métodos de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas.

Velho, G. (2002). Becker, Goofman e a Antropologia no Brasil. Sociologia, problemas e práticas, (38), 9-17.

Velho, G. (1985). O estudo do comportamento desviante: a contribuição da antropologia social. Desvio e divergência: uma crítica da patologia social, 6, 11-28.

Vieira, A., Lima, C. H. P., & Pereira, G. B. (2007). Papéis sociais e expectativas. In A. Vieira & I. B. Goulart (Coords.). Identidade e Subjetividade na gestão de pessoas. (Vol.1, pp. 27-54). Curitiba: Juruá.

Xiberras, M. (1993). As teorias da exclusão: para a construção do imaginário do desvio. Lisboa: Instituto Piaget.




Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.